Depois de ler esse post no blog do Kid decidi que deveria escrever sobre Videogames. Não somente porque já faz um tempo que estou sem idéias do que postar aqui no blog, mas também porque se o Kid tem todos os consoles imagináveis, uma namorada que vai comprar jogos com ele e faz festas cheias de mulheres semi-nuas, provavelmente esse negócio de Videogame deve servir para alguma coisa.
Apesar de não ser tão velho quanto penso que sou, tive a oportunidade de vir ao mundo durante a era de ouro dos videogames. Fico imaginando a molecada que nasce hoje já sabendo como jogar jogos nos PC usando mouse e WASD sobrevivendo durante a nossa época (Kid, seu velho).
Minha introdução ao mundo dos games começou com um clássico Atari 2600. Não me lembro exatamente como aquele console veio parar em casa ou como ele apareceu na estante embaixo da minha TV, e como meu pai também não sabe assumo apenas que forças extraterrenas fizeram com que essa obra prima da tecnologia old school entrasse na minha vida.
Imaginem o console: Um controle que tinha apenas um botão e uma alavanca onde você movia “as coisas” da tela, um console que era um pouco maior que um vídeo-cassete (provavelmente porque tinha que ser montado e soldado manualmente um a um) e uma coisa que poucos podem lembrar mas que não poderia deixar de ser citada aqui: Uma caixinha chaveada TV – Videogame. Funcionava assim: Como a TV não possuía canais AV, você teria que ter alguma forma de enfiar o sinal do Atari dentro daquela caixa preta feita de madeira. Como ter que tirar a antena toda vez que você fosse jogar seria uma coisa um pouco diria, infernal, criaram uma forma de você chavear entre o sinal do VG e o sinal da antena normal, forma essa que seria magicamente transformada em uma pequena caixa preta que acompanhara todos os consoles daquela época.
Pois bem, na época o Atari era simplesmente o que havia. Tudo bem que você não conseguia entender porra nenhuma do que acontecia na tela, mas do que a gente ia reclamar? O barato tinha mais de uma cor e até tinha som!
Mais legal ainda era quando você ia até o Carrefour mais próximo e avistava a prateleira de games. Caixas reluzentes com figuras chamativas tornavam a escolha dos jogos extremamente complexa. Diversos fatores deveriam ser considerados durante a compra como: Probabilidade daquele mesmo jogo aparecer em uma locadora próxima, algum de seus amigos que também tivesse o Atari também possuírem o jogo, fodelosidade da imagem da capa, entre outros.
Enfim, as coisas evoluem e mais a frente ganhei o meu mais novo brinquedo na minha formação nerd: Um Master System. Aquilo sim era videogame! Porra, tinha um jogo na memória e o controle tinha –DOIS BOTÕES–. Eu poderia simplesmente ter comido todas as amigas da minha mãe e as filhas delas simplesmente mostrando o controle de meu Master System a elas, quão fodelônica eram suas formas (do controle, não das mulheres) e a sua melhoria no gameplay em comparação ao Atari.
Ao mesmo tempo diversos consoles genéricos flodavam o mercado. Tecnicamente o NES original (Nintendinho) nunca chegou as terras brasileiras, sendo assim o brasileiro teria que arrumar uma outra forma de tirar dinheiro de nossos bolsos de forma lícita. Tendo um competidor como a Tec-Toy no páreo, como proceder? Bem, pega-se o Nintendinho, coloque não um, mais DOIS controles na caixa, uma pistola "laser" com algum nome em inglês e torne o console o mais pirateavel possível. Nasce assim o TurboGame, o único console pirata que deve ter vendido mais do que o seu modelo copiado original.
Voltando ao SMS e a Tec-Toy, temos aqui um fato curioso. Como o Brasil sempre foi um país de último mundo, tudo que não fosse relacionado a mulher pelada e carnaval demorava mais tempo para chegar aqui do que ao resto do planeta. Porém graças a uma pioneira (A Tec-Toy), podíamos comprar consoles importados por um preço no máximo 3 vezes maiores do que no mercado americano, com a vantagem de não precisarmos nem sair de casa.
Isso me remete sem dúvida ao pináculo da minha infância nostálgica: As feiras de venda da Tec-Toy no condomínio onde eu morava. Como meu condomínio era grande o suficiente para abrir metade da população da cidade, sempre rolava umas feirinhas dentro do périmetro do lugar, onde eram vendidas as mais diversas coisas como filtros Purimax, bijuterias, títulos de clubes de campo e claro, videogames da Tec-Toy.
Funcionava assim: Você acordava de manhã para buscar pão para sua mãe na padaria e passava pela área do condomínio reservada especialmente para eventos do tipo. Para sua felicidade, notava algumas faixas com a inscrição SEGA sendo penduradas no local, ato esse mais do que suficiente para que a compra dos pães que normalmente demoraria de 20 a 30 minutos tomasse apenas alguns poucos minutos do seu tempo, tempo esse que não poderia ser reduzido a segundos simplesmente porque o filha da puta do caixa da padaria ficava enrolando para dar o troco tentando empurrar balas e chicletes pra você.
Como naquela época áurea não éramos munidos de formas rápidas de comunicação, tínhamos que providenciar a propaganda do evento no método boca-a-boca. Apesar da dificuldade da divulgação, as filas nos estandes de "teste" das feirinhas da Tec-Toy tomavam dimensões kilométricas em questão de segundos, graças a grande capacidade de nós, crianças, sermos capazes de gritar diversos "morre filha da puta", "vai apelar no poderzinho com sua mãe" e "volta lá pra pegar a vida porra" em alto e bom som.
E meu, como aquilo vendia. Você podia comprar seu Master System ou – para os pais de bolsos mais profundos – seu Megadrive em suaves 98 parcelinhas, pagas através de um carnê ou seja lá como eles se viravam em uma época em que cartão de crédito e Verified By Visa eram coisas de Satanás.
Foi nessa época que fui apresentado a aquele que seria um dos personagens que formariam meu caráter, o Sonic. Um bixo azul, com tênis da nike, que corria mais do que criminoso fugindo da blazer da polícia militar? Tinha que ser da SEGA! Adicione alguma arma de fogo ou violência ao jogo e eu nunca teria tido necessidade de jogar um Mortal Kombat na minha vida.
Nessa época também que vi que videogames, mesmo sendo uma compra paga individualmente pelo SEU PAI, deveria ser escolhido a dedo para evitar problemas futuros. Quando a única coisa que tínhamos no mercado era um Atari ou um Atari, ficava fácil qual vídeogame escolher, porém quando Master System, Megadrive, Sega CD e mais pra frente Sega Saturn (esse somente os mais bala na agulha mesmo tinham acesso) entravam na jogada, você não podia simplesmente "comprar o console mais fodelão e cheio de botões no controle" de todos. Toda compra, assim como no caso do Atari, deveria atender aos requisitos mínimos de oferta e procura. Como o acesso a pirataria era altamente restrito na época, não adiantava de nada ter o melhor console do mercado se você não tivesse com quem trocar / alugar fitas.
Um pouco mais a frente fui introduzido a doutrina clássica diária de toda criança: Casa > Escola > Rua > Casa. E ao descobrir que lá fora existia um mundo diferente daquele que você via pela TV, também conheci aquilo que chamavam de Fliperama. Nessa mesma época curiosamente as escolas ficaram cheias de pessoas (que de certa forma eram uma espécie medieval de cambistas) que magicamente eram capazes de transformar seus passes escolares em fichas de fliperama ou sorvetes.
Infringimento de legislação a parte fui apresentado ao outro marco do entretenimento na minha vida: O Street Fighter 2: Champion Edition. Porém como se tratava de Brasil, não poderia ser simplesmente QUALQUER SF, tinha que ser uma máquina, claro, hackeada. Nascia assim a lenda do grande Street Fighter de Rodoviária, um jogo onde cada detalhe foi cuidadosamente modificado por um chinês desocupado para proporcionar o máximo de prazer e diversão por passe escolar gasto em fichas de fliper. Assumo de passagem que a máquina foi modificada por chineses ou paraguaios pois eles eram a única forma de entrada de pirataria no país antes do advento da internet, porém não consegui achar nada sobre esse hack em específico na internet (Hack M7), e é difícil você encontrar alguém de algum lugar que não seja o Brasil que conheça esse tipo de hack na sua forma física (o Arcade), sendo assim esses são indícios fortíssimos de que o Hack M7 pode ter sido cunhado em terras tupiniquins.
Mais pra frente na minha linha do tempo relacionada a jogos eletrônicos ganhei um SNES, aquele que faria eu tomar gosto pelo melhor estilo de jogo de videogame já criado: O RPG. Como minha mãe tinha medo de que algum vizinho ou filho de algum vizinho tentasse me matar a facadas na rua ou me sequestrar para desmanche e venda de órgãos, passava a maior parte do tempo trancado em casa sozinho. Sendo assim, jogos onde você tivesse que enfrentar um adversário linear toda vez que jogasse (SF, MK, Street of Rage, etc) se tornavam rapidamente chatos caso não tivesse outra pessoa para jogar com você. Sendo assim, tinha que tomar gosto a alguma forma de jogo que pudesse ser consumido sozinho, e como não tinha acesso a pornografia naquele tempo, fiquei com o RPG.
Essa acho que foi a primeira vez onde consegui passar a perna em todos os meus vizinhos de prédio e tive um console a frente da geração de todos os outros existentes num raio de alguns metros, fazendo com que eu instantaneamente me tornasse um guru e tivesse sempre a palavra final quando o assunto fosse diversões eletrônicas. Funcionava assim: Como todo mundo sempre queria ser melhor que o outro em algum jogo específico, você precisava ou descobrir cheats ou inventar algo sobre aquele dado jogo em específico. Foi nessa época que surgiram coisas como "Eu consigo tirar a máscara do Vega no SF2" ou "Eu consigo liberar uma fase especial no Sonic se você terminar uma fase em XX segundos", entre outros. Como ninguém tinha como provar que o cara estava mentindo, ou o cara provar que estava falando a verdade, eles recorriam ao GameFAQs, que no caso da era pré-internet era o cara que tinha o melhor console, ou seja, eu :)
Pensei que o texto fosse ficar bem menor e como ele já está bem grande vou dividir-lo em dois pedaços para tornar a leitura mais prazerosa para vocês. Relaxem que a parte 2 sai amanhã já, então aproveitem o meio tempo para comentarem ai embaixo. Para quem me lê somente via feed fiquem sabendo que comentar é de graça e tal, e você ainda ganha um link no meu site ;)



26 de junho de 2008 as 12:38 pm
Tiop, primeiro! :P
-off-
Tinha que ter um link para comentários direto do reader, vir de lá até aqui força demais…
-/off-
Putamerda, encontrar games oldschool é bom pra alma ein!
Sorte a minha que pulei a fase do Atari e passei direto pro Phantom System ( pt.wikipedia.org/wiki/Phantom_System , thewarpzone.classicgaming.gamespy.com/brazil/5.jpg)
Snes só na casa do amigo do primo, tinha que dividir o round com mais 5 e era no sistema morreu, passa o controle =/
Mas loongas foram as horas que passei jogando Mario 2 e Tetris com meu velho :P
26 de junho de 2008 as 1:24 pm
Bom post, tio solid.
Esse texto me lembrou um detalhe comédia – a arte da capa do jogo às vezes não tinha NADA a ver com o jogo em si ahahahha
Isso gerava muitas decepções porque na época resenhas eram menos acessíveis e a gente escolhia jogos pelo nome e as imagens na caixa mesmo.
26 de junho de 2008 as 2:01 pm
É solid, esta semana seu blog ficou muito interessante, principalmente este post sobre games, pena que não pude aproveitar ao máximo esta época, meu 1º VG foi um super nintendo em 2002, e hoje possuo um PS2 e um PSP com emuladores (master, mega e snes/gba).
26 de junho de 2008 as 3:19 pm
Se você quiser, tenho o emulador kawaks com esse SF M7….
26 de junho de 2008 as 10:19 pm
Eu não ia comentar mesmo tendo gostado do post porque não teria nada construtivo para dizer, mas já que você insistiu.. aheiuahsaiu.
Eu também tive um Atari que também não sei como foi para dentro de casa, mais especificamente embaixo da TV, mas o melhor video game do mundo é o SNES, tanto que emuladores de SNES OWNAM, principalmente porque dá pra jogar online.
Melhor ainda é jogar o emulador com um CONTROLE do SNES no PC, mais melhor de bom ainda é poder salvar em qualquer parte da fase e não perder vidas para nunca dar game over. (Ok, essa é loser, mas eu já terminei Super Mario, viu?).
Depois do SNES a única coisa melhor é o computador. Simplesmente porque o mouse é o melhor intermediador entre jogos graficamente complexos.
Um dia eu vou dar um SNES para os meus filhos. E eles vão achar lindo.
Ou eu carco eles na porrada.
26 de junho de 2008 as 10:20 pm
Editando: eu já terminei Super Mario World no SNES de verdade, quando computador era coisa do Capeta :P.
27 de junho de 2008 as 12:45 pm
[...] o texto que eu publiquei ontem sobre videgames. Terminei dizendo sobre o Super Nintendo (SNES) e em como possuir o videogame da moda poderia [...]
28 de junho de 2008 as 4:35 am
Terminar mario World é como uma fase de transição.. quem ainda não fez isso praticamente vive ainda com a mente plugada matrix…
E pelo visto não foi só comigo que o Atari “apareceu” em casa misteriosamente auhehuae
E kid.. realmente isso que você falou cara.. Eu lembro que se você comprasse 2 revista de game aquela época dava pra comprar um prensado de PS1.. então virava mais arriscar o jogo do que o review :P
30 de junho de 2008 as 2:59 am
Kaceta!!!!
ótima seção oldschool, como é bom relembrar os velhos tempos.
Apenas acrescentando e lembrando do jogo Decathlon (ATARI), o grande arrebentador de mãos e controles. Caraca, como a gente se matava pra fazer o carinha correr.
E como um grande videomaniaco, eu fui colecionador da revista SUPERGAME, a qual eu tenho a coleção completa até hoje, antes mesmo de ter meu Mega Drive. Está era a única chance de saber dicas de jogos e novas tecnologias ou mesmo DETONAR aquele jogo em que a gente nem sabia pra onde ir. (pois não sabia patavinas nenhuma de ingles)
PS. Alguem se lembra do Clube do Chefe!?!?!!?!?
Ótimas lembranças
5 de julho de 2008 as 7:39 pm
Velho, tirando a parte do Atari (pois não sou tão velho) e do RPG no SNES (eu o descobri no SMS mesmo, jogando Phantasy Star), você praticamente escreveu a minha vida ai
comecei pelo Turbo Game, arranjei, sei lá como, um Master System sem fio (que na época ninguém sabia como funcionava), dpois veio um Mega Drive (onde conheci RPG’s incíveis como Shining Force, Phantasy Star 4 e Landstalkers), um SNES, que me apresentou à Zelda, Super Metroid e Chrono Trigger, N64, trocando meu SNES nele, Game Boy não lembro como e, por fim, meu Play 1, que me rendeu as melhores horas da minha vida.
e sim, sou nerd! (se bem que nem precisava dizer)
14 de julho de 2008 as 1:38 pm
Clube do chefe?? essa não lembro cara! Agora o qeu lembrei agora pouco era daquele programa que passava na SBT que o Gugu apresentava saca que você entrava dentro do videogame?? Puta que pariu, aquilo eu achava animal³
Ruruk: Você teve Snes e 64, então foi bem catequisado, não precisou do Atari :P
15 de julho de 2008 as 11:38 am
Clube do chefe?? karalho! isso sim é velho!!!
eu tinha um meggadrive q até hj num sei onde foi parar, so tinha sonic e num conseguia zerar aquele troço de jeito nenhum nem eu nem minha mãe (o Video game era dela so q eu naci i… roubei pra mim!) eu acordava, jogava dava start, ia pro colegio rezando pro console não esquentar para não travar!
boms tempos…
14 de outubro de 2008 as 1:40 pm
[...] do Tio Solid, do Graveheart e do Quide, chegou minha vez de postar saudozismo a nossa infancia [...]
25 de janeiro de 2009 as 3:44 pm
Minha dúvida é sobre o rom de Super Metroid.
eu tentei instalá-lo no meu windows 98 mas não deu certo.
o que eu devo fazer?
25 de janeiro de 2009 as 3:45 pm
E como eu instalo o emulador de GBA?
Quais os requisitos mínimos