Porque no fundo, todos nós somos apenas máquinas

Is it you Jesus? Lendo a série  de textos sobre religião no Grande Abobora tive uma idéia para escrever um novo post aqui e fundamentar algumas das idéias que sempre tive a propôs desse assunto. Apesar da inspiração, a idéia não é criar um post onde faço comparações ou coloco provas de que Deus existe ou não, mas sim provar (ou ao menos, colocar o meu ponto de vista) porque as pessoas realmente acreditam em igreja ou em qualquer outra coisa desse tipo.

É fato que odiando a religião ou não, ela é um mal necessário para a ordem da humanidade. Assim como leis, a religião serve basicamente para criar fronteiras e apontar punições (ou conseqüências) para aqueles que a transpuserem / não acreditarem / não a seguirem. As leis por si só funcionam até certo ponto, e a partir do momento onde elas não forem suficientes para delimitar nossas ações, entra a religião. E esse modelo funciona perfeitamente por causa de uma grande premissa básica: Nas leis, as conseqüências são claras e diretas: Você mata e vai preso por X anos; E é isso. Algumas pessoas podem ou não cumprir as leis DEPENDENDO de como elas foram “programadas”. Para mim, um ano preso em uma cadeia é muito, para seu programa de controle, um ano de cadeia não é muito tempo, e por isso, você comete um crime, mesmo sabendo das conseqüências.

E ai que entra a grande sacada da religião: Ao cometer um crime (pecar contra algo da sua religião), você certamente será punido por seu Deus (ou entidade maior de sua religião), porém nunca essa punição é clara ou imediata. Você pode “queimar no inferno pela eternidade” ou “ser punido por seu Deus por algo que fez”, mas isso nunca fica bem definido como “o que acontece” e “quando acontece”. É fato: Você não come aquela sua vizinha gostosa e vagabunda de 16 aninhos que te dá mole não com medo de ser punido quando morrer, mas sim porque se ela resolver te considerar um pedófilo, seu lindo rabo sofrerá as conseqüências AGORA, assim que você for preso por isso.

O título do artigo parte de um pensamento que eu sempre tive quanto as coisas do mundo, um mundo que para mim, é binário. Ou você está vivo, ou você está morto. A não ser matematicamente, não existe “quase morto”, “meio casado” ou “meia virgem”. Falo isso porque, apesar de meu raciocínio nesse caso ser claro, esses “meios” e “quases” existem simplesmente pelo fato de como fomos e somos programados o tempo todo. Programados como máquinas.

Acredito fielmente que não existem coisas como assassinos que se redimem e pessoas más que se tornam boas. As tendências para ultrapassagem de leis (fronteiras) estão esculpidas em cada pessoa desde quando ela nasce, pois algumas partes de seu “código” não podem simplesmente serem “reprogramadas”, já que ele for herdado de seus pais e parentes ou de suas diretrizes (AKA: Caráter). A religião funciona perfeitamente nesse caso (considerando o tanto de seguidores de todas elas) simples e puramente por causa de seu castigo incerto, mas pessoas inclinadas a matar, roubar, trair e mentir sempre farão isso em algum momento da vida independente de seu nível de religiosidade, com a diferença de que como não podem culpar a si mesmos pelo fato (seu “código” que lhe inclina a fazer essas coisas), podem ao menos culpar a sua falta de fé ou o oposto da força que a palavra de seu Deus pregar.

O mundo fica muito mais simples se nos considerarmos máquinas e o conhecimento como programas ou “fronteiras”. É por isso que existem pessoas boas e ruins nas coisas e porque simplesmente não saímos por ai lutando ou vencendo olimpíadas depois que assistimos a filmes de luta ou a jogos na TV. Qualquer pessoa pode aprender qualquer coisa desde que seja receptiva a inserção de tal “programa”, mas suas tendências de “código” ainda sim irão impedir (ou fazer) com que você seja melhor (ou pior) que alguma outra pessoa tão fisicamente igual a você.

Quando falo de “código que não pode ser alterado”, deve-se subentender tudo aquilo que você herdou de seus pais e outras coisas que considera como diretrizes que não podem ser quebradas, ou aquilo que conhecemos hoje como caráter. A conta é simples e funciona ao meu ver, para tudo: Você não solta seus ursos cachorros em cima do cara que vem cobrar o seu aluguel não porque você é uma pessoa super legal e sapeca que gosta de ajudar o próximo, mas sim por medo das conseqüências que isso pode acarretar imediatamente para você, ou mesmo (o mais provável) por causa do “código” que lhe impede de fazer isso (ou seus pais sempre matavam todos aqueles que tentavam ir na sua casa cobrando dívidas?).

Escrevo isso porque as vezes é curioso (se não cômico) ver como a religião é capaz de criar e fundamentar fronteiras extremamente conflitantes com o “código” de uma pessoa em particular. E nem preciso pensar muito para encontrar exemplos clássicos como aquela mulher muito comum que apesar de crer e seguir cegamente a palavra de uma igreja (normalmente evangélica) e tentar passar isso para todo mundo, pula a cerca com o pastor depois do culto ou fala mal pelas costas de seus familiares ou amigos, ou o clássico pastor que prega a palavra da sua religião mas faz questão de ostentar bens mesmo sabendo que aquilo que tem está sendo pago com o dinheiro das pessoas que ele passa aquela mesma palavra em seus cultos. A diferença de um pastor honesto e um ruim (desconsiderando o conceito da religião que ele prega existir ou não) é simplesmente a questão de como seu “código” lhe “programa” para agir diante daquela dada situação (shit loads of cash em seus bolsos).

Um outro exemplo muito curioso desse “código” é quando somos colocados diante de situações com a qual não estamos acostumados. Apesar de sermos todos iguais, algumas pessoas não conseguem falar em público, outras simplesmente não conseguem se guiar utilizando mapas e outras podem passar um dia inteiro atirando em um alvo com uma arma que nunca vão ser capazes de acertarem a mosca, enquanto outras podem fazer isso até de olhos fechados. É tecnicamente para isso que serve a religião. Como ela não pode agir sobre esse “código” que não pode ser alterado, ela age criando fronteiras, e punido de forma incontestável e vaga todos aqueles que tentarem ultrapassar-las. Na maioria das vezes isso não é feito com intenções ruins, mas apenas para delimitar (moldar) suas ações da forma que ela acha ser correta. Seria super divertido se cultuar uma religião específica lhe garantisse capacidades além de seu “código”, como sei lá… invocar ursos por exemplo.

Mas nem ela nem todos os seus deuses são capazes disso, porque no fundo, todos nós somos apenas máquinas.

PS: Palavras destacadas com aspas são propositais por um motivo – não fundamente seus comentários aqui com base em Matrix, por favor :)

Categoria: Outros | Postado dia 05/09/2008 as 15:17

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10 comentários para “Porque no fundo, todos nós somos apenas máquinas”

  1. Hamilton comentou:

    A igreja é um mau necessário. É mais uma maneira de controlar pessoas, como leis ou qualquer coisa parecida.

    Ainda acredito que a pessoa possa mudar seu “código”. Mas tô aprendendo que talvez isso não possa se aplicar a todos. Tem que realmente querer mudar, e quando as pessoas chegam nessa parte de “mudar”, mudança de verdade, elas acabam desistindo de se regenerar.

  2. Chico comentou:

    “ela é um mal necessário para a ordem da humanidade.”

    Parei de ler aí… =/

  3. Tics comentou:

    siga fielmente uma religião e ganhe de brinde inteiramente de grátis: fanatismo, terrorismo e esquisitismo.

  4. TioSolid comentou:

    Hamilton, no fundo, sim. Nesse exemplo que você cita, normalmente pessoas propícias a mudar são aquelas que nunca quiseram estar ali desde o início. Nem sempre uma pessoa que mata é um assassino, e é exatamente esse “código” da pessoa que define isso.

    Chico: leia no contexto do artigo que você entende o porque. Um mundo sem religião seria totalmente caótico. A igreja delimita as fronteiras que as leis do homem da Terra não são capazes de criar.

    Tics: Principalmente esquisitismo ;)

  5. Chico comentou:

    Para regular o comportamento humano existe ética, filosofia e as próprias emoções humanas… Já leu “Carta a uma nação cristã”? Leitura fácil, 90 pags, refuta essa idéia, mas se quiser algo que refute completamente essa idéia, leia: “Deus um delírio”. Religião ajuda em raros casos, mesmo nesses não é a única solução.

  6. Tiosolid comentou:

    Sem dúvida Chico, mas emoções e ética existem apenas até certo ponto. Sabe aqueles dias que você para no trânsito e um motoqueiro para do seu lado, chuta sua porta e sai rindo? A diferença entre um motorista que saca uma arma e mata o motoqueiro ou de outro que apenas chinga está apenas no fato de como sua índole mais interna se comporta. Não importa o seu credo, alinhamento filosófico ou qualquer outra coisa, principalmente religião.

  7. maaay comentou:

    eeeee tio, procurando no google um iTouch, ele me ancaminha direto ao seu site! coincidencia hãn?!

    beeeeeeijos.

  8. Tirlin comentou:

    nossa tio, nesse seu raciocinio eu consegui mudar meu ‘código’ aos 8/9 anos, quando decidir ser quem eu sou e não a cópia de outra pessoa (personal issues) e eu sei como eh dificil, mais possivel, mudar “the code”

    por isso vc tem razão em partes: mudar the code eh dificil mesmo, tanto é q mta gente é presa, sai da prisão e faz as mesmas merdas

  9. Henrique comentou:

    Sabe achei sua argumentação um pouco fraca, e falo isso porque não poderia ser mais ateu do que ja sou, não gosto de religião e acho que de forma nenhuma ela é necessária. Mas o que mais me chamou a atenção é esse mecanicismo do seu post desde descartes ou newton não encaramos o mundo ou o ser humano desta forma, ou seja se você de fato acho que o mundo é binario como linguagem lógica computacional, porque o mundo não é tão organizado como a lógica, na logica formal não existe falso ou verdadeiro só existe 0 e 1 por ex. e no mais sabemos que não somos simplesmente hardware(corpo) com um sotware (personalidade) pre determinado por carga genetica ou qualquer outra coisa do tipo, acho que falta um embasamento psicologico, psicanálitico em sua teoria. Por fim essa questão do mundo binario pode ser apenas a nossa percepção do mundo que seja assim, talvez o mundo não seja como nós percebemos, a fisica não consegue provar que o azul é azul, somos nós que vemos o azul. Na fisica quantica varios conceitos que nós tinhamos como paradigma foram derrubadas vide por ex. o Gato de Schrödinger, por favor considere essas criticas como incentivo, pois seu blog esta muito bom assim como o newsinside.

  10. TioSolid comentou:

    É exatamente esse o problema. O mundo não é tão organizado como a lógica pelo fato dele sempre tender para a entropia, assim mesmo como os sistemas lógicos. A diferença é que em sistemas lógicos essa entropia não costuma afetar os resultados das ações dos mesmos, enquanto no “mundo real” isso acontece.

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